A conclusão das obras do Centro de Convenções da Chicala, que esteve sob gestão da empresa Alfermetal, do empresário luso-angolano Sílvio Madaleno, traz, por um lado, alívio aos funcionários que viveram momentos turbulentos, sobretudo de racismo, despedimentos e atraso salarial.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Segundo dados tornados públicos pela equipa de assessoria do empresário, a infraestrutura, orçada em 290,8 mil milhões de kwanzas, terá supostamente gerado 4.500 postos de trabalho diretos durante a sua execução. Para além dos empregos diretos, a atividade da Alfermetal terá contribuído para a criação de centenas de postos de trabalho indiretos, ligados ao fornecimento de materiais, prestação de serviços e logística.
De acordo com antigos funcionários que falaram ao Factos Diários, o número contabilizado de funcionários não corresponde à verdade. “Salvo se eles contaram com os funcionários que decidiram expulsar sem justa causa e outros que decidiram sair para se livrarem da falta de respeito e do racismo”, disseram.
RA
Alguns trabalhadores escreveram nas suas redes sociais que “terminou a dor de cabeça e a falta de respeito”. A mensagem serviu para expressarem os momentos terríveis que cada um viveu, em que os estrangeiros, sobretudo portugueses, tiveram mais privilégios por, no entender dos trabalhadores, se tratar de pessoas supostamente da mesma cor.
“Ali eles não têm maneira de despedir. É muito triste. É sofrimento. Para o salário cair, quem tem namorado que trabalha aí é só choros para receber a mesada”, desabafou um deles.
Depois da inauguração do Centro de Convenções da Chicala, Sílvio Madaleno tornou pública uma mensagem de que a sua empresa é uma das melhores e se preocupa com a redução do desemprego em Angola. Já para os trabalhadores, tudo o que foi dito, apesar de algumas verdades, não passa da tentativa de um empresário que pretendia apenas exaltar-se e conseguir novas oportunidades.
De lembrar que o preço da construção do Centro de Convenções da Chicala mereceu críticas da UNITA e de dois empresários de construção civil, por considerarem o valor exagerado.
FD
