A detenção do jornalista Isidro Kangandjo, director do portal Factos Diários, está a provocar uma forte reacção entre profissionais da comunicação social, que defendem a responsabilização e a exoneração do Administrador Municipal-Adjunto de Calumbo para a Área Técnica, Infra-Estruturas e Serviços Comunitários, Joelson Joaquim da Costa Gomes. Para a classe, o episódio ultrapassa o caso individual do jornalista e levanta questões sobre os limites do poder exercido por responsáveis da administração pública.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Kangandjo foi detido na sexta-feira, 25 de Setembro, depois de se deslocar à Administração Municipal de Calumbo para ouvir o contraditório do responsável sobre uma matéria jornalística. Segundo relatos sobre o caso, o jornalista terá sido posteriormente conduzido ao piquete do SIC no Zango 8 Mil e, horas depois, encaminhado para a esquadra do Zango 1, onde permaneceu sob custódia durante a noite. O jornalista acabou por ser libertado no sábado, 26 de Setembro, enquanto as circunstâncias exactas da detenção continuam a ser objecto de versões e acusações que aguardam esclarecimento oficial.
A polémica centra-se sobretudo na alegada intervenção de Joelson Joaquim da Costa Gomes no encaminhamento do jornalista para as autoridades. O jornal O Decreto noticiou que fontes ligadas à Administração Municipal de Calumbo apontaram o administrador adjunto como tendo dado orientações que terão levado à detenção de Kangandjo, alegação que, àquela altura, não tinha sido confirmada oficialmente pelas autoridades. O mesmo órgão informou que tentou ouvir Joelson sobre o caso, mas não obteve resposta.
É neste ponto que a classe jornalística estabelece uma ligação directa com as posições públicas do Presidente João Lourenço sobre o exercício do poder e o respeito pela legalidade. No discurso de investidura, em Setembro de 2022, o Chefe de Estado afirmou que o compromisso do Executivo com o respeito pela Constituição e pela Lei era “sagrado”, sobretudo no que diz respeito aos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. Na mesma intervenção, defendeu o combate à corrupção e à impunidade e apelou à mudança de “vícios, más práticas e maus comportamentos” instalados na sociedade.
Para os jornalistas que reagiram ao caso, é precisamente por isso que o episódio de Calumbo não deve ser tratado como uma simples divergência entre um responsável público e um profissional da comunicação social. Na leitura da classe, Joelson Joaquim da Costa Gomes desafiou João Lourenço ao protagonizar, alegadamente, uma actuação que consideram incompatível com os princípios de legalidade e respeito pelos direitos dos cidadãos defendidos publicamente pelo Presidente.
“João Lourenço não permite abusos de poder”, sustentam os jornalistas, que consideram que, caso sejam confirmadas as alegações sobre a intervenção do administrador adjunto na detenção, deverão existir consequências administrativas e legais.
A reivindicação passa agora pela exoneração de Joelson Joaquim da Costa Gomes. Os jornalistas defendem que o responsável não deveria continuar no cargo enquanto permanecem por esclarecer as circunstâncias da detenção de Isidro Kangandjo e a eventual intervenção de autoridades administrativas num procedimento de natureza policial e criminal.
A classe jornalística espera, por isso, que o Governo Provincial do Icolo e Bengo e os órgãos competentes esclareçam quem determinou a detenção, em que circunstâncias foi executada e se foram cumpridos os procedimentos legalmente previstos.
Enquanto isso, a libertação de Kangandjo não encerra o caso. O episódio continua a suscitar reacções entre jornalistas, que defendem uma investigação capaz de esclarecer a cadeia de acontecimentos que levou à detenção do profissional e a eventual intervenção de responsáveis administrativos.
