O nome da vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, está a ser associado, em denúncias e acusações que circulam sobre a ocupação de terrenos adjacentes à Centralidade Vida Pacífica, município do Calumbo As alegações apontam para uma suposta comercialização ou facilitação da venda de parcelas de terra e levantam ainda dúvidas sobre a eventual proteção de pessoas acusadas de ocupar espaços destinados à construção de equipamentos sociais.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Segundo as denúncias, entre os espaços em causa estariam áreas que deveriam ser reservadas para infraestruturas de interesse público, nomeadamente escolas, centros de saúde e serviços de registo, além de outras estruturas destinadas a servir os moradores da centralidade.
As acusações, contudo, carecem de esclarecimento e de comprovação por parte das autoridades competentes. Até ao momento, a associação do nome de Mara Quiosa a estas alegadas práticas não deve ser confundida com uma prova de envolvimento direto em qualquer acto ilícito.
A questão que se coloca, entretanto, é política e institucional: até que ponto a ausência de esclarecimentos públicos permite que o nome de uma dirigente de elevada responsabilidade dentro do MPLA continue a ser associado a denúncias desta natureza?
É precisamente neste ponto que surge uma crítica dirigida ao Coordenador da Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria do Comité Central. Se existem denúncias concretas envolvendo ocupação irregular de terrenos, alegada comercialização de espaços públicos e eventual favorecimento de determinados intervenientes, não deveria a estrutura responsável pela disciplina e ética partidária procurar esclarecer os factos?
A questão não deve ser encarada apenas como um problema de imagem pessoal. Quando o nome de uma dirigente partidária é associado publicamente a alegações de corrupção ou favorecimento, torna-se importante que existam mecanismos de verificação capazes de apurar responsabilidades e separar factos comprovados de acusações sem fundamento.
Por isso, mais do que alimentar suspeitas, impõe-se transparência: quem autorizou a ocupação ou comercialização dos terrenos? Quem são os responsáveis pelas parcelas? Qual é a finalidade oficialmente prevista para aqueles espaços? Existem documentos de compra, venda, cedência ou autorização de ocupação? E que medidas foram tomadas pelas entidades competentes diante das denúncias?
A eventual existência de irregularidades deve ser investigada pelas instituições com competência para o efeito. Da mesma forma, se as acusações contra Mara Quiosa forem infundadas, um esclarecimento público e documental poderá contribuir para afastar dúvidas e proteger o seu nome.
O silêncio institucional, perante acusações desta natureza, deixa espaço para interpretações e pode ampliar a perceção pública de que questões relacionadas com terrenos e património público não estão a receber o escrutínio devido.
A responsabilidade política e ética, neste caso, passa justamente por esclarecer os factos — não para condenar antecipadamente ninguém, mas para determinar quem tem razão, quem deve responder e se os espaços destinados a equipamentos sociais estão, de facto, a cumprir a finalidade para a qual foram reservados.
