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    Início » VAMED entrou no mercado angolano pela mão da ministra Sílvia Lutucuta sem nenhum estaleiro de construção em Angola
    Opiniões

    VAMED entrou no mercado angolano pela mão da ministra Sílvia Lutucuta sem nenhum estaleiro de construção em Angola

    AdministradorBy AdministradorAbril 19, 2024Sem comentários4 Mins Read
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    Na inauguração do Hospital Geral de Viana, na passada sexta-feira, o Presidente da República revelou que a empreiteira estaria a exigir do Governo pagamento de valores não contemplados no contrato.


    À comunicação social, o Presidente João Lourenço garantiu, no entanto, que o Governo não vai pagar mais do que foi contratualizado.
    “Os contratos são para ser respeitados. E o que estamos a verificar, a viver neste momento, é que os contratos com esta empresa não estão a ser respeitados (…) está a ser-nos solicitado um valor adicional muito acima daquele que foi contratualizado. Tão alto que dá para construir e equipar um hospital de raiz”, disse, para de seguida, reiterar que o Governo “não pode aceitar o pedido de valor adicional. Nós não vamos deixar”.


    Estranhamente, o Presidente da República não identificou a empresa que exige do Governo um pagamento extra “tão alto” que cobriria a construção e equipamento de um hospital de raiz.


    A sempre “bem-comportada imprensa pública”, como a classificou o Presidente do Brasil, Lula da Silva, também não mostrou nenhum interesse na identidade da empresa que forjou mais um golpe ao bolso dos angolanos.


    O Presidente da República e Titular do Poder Executivo sabe de que empresa se trata e os montantes contratualizados para a sua contratação, por ajuste directo, evidentemente.
    Depois da inauguração do novo hospital, o Presidente da República colocou-se à disposição dos órgãos de comunicação social escolhidos pelo CIPRA para cobrir a inauguração de um empreendimento público.
    Selecionadas entre os demais, quer a Rede Girassol quanto a TPA não perguntaram ao Presidente João Lourenço a identidade da empresa que pretende pagamentos não contemplados no contrato.


    Há uma possível explicação para a omissão do Presidente da República quanto à identidade da empresa.


    Sabe-se, agora, que a empresa, cuja identidade foi omitida, tem nome. Chama-se VAMED.
    De origem alemã, a VAMED obteve do Governo, por via de ajuste directo, um contrato de meio bilião de dólares para a construção de hospitais em Angola.


    De acordo com fontes do Ministério da Saúde, a VAMED entrou no mercado angolano pela mão da ministra Sílvia Lutucuta.
    Sem nenhum estaleiro de construção em Angola, a VAMED, segundo denúncia de Joana Clementina no Facebook, subcontratou a DST, uma empresa portuguesa com sede em Braga.
    Desconhecedora do mercado angolano, a DST teria, por sua vez, subcontratado uma empresa lusa, já estabelecida no país.


    Sob a supervisão da VAMED e suas várias subcontratadas lusas, a construção do Hospital Geral de Viana acabou no colo de uma empresa chinesa. A multiplicidade de subcontratações encareceu a empreitada e é essa a justificação para a exigência de pagamentos não contemplados no contrato de adjudicação da obra.


    A omissão do Presidente da República e da comunicação social pública quanto à identidade da empreiteira não será alheia às “impressões digitais” da ministra da Saúde no processo.


    “Intermediaria” do negócio, Sílvia Lutucuta ficaria imediatamente exposta se o Presidente da República tivesse identificado expressamente a empresa alemã.
    Sílvia Lutucuta forma, com João Baptista Borges e Ricardo D’ Abreu, o trio de auxiliares mais protegidos pelo Titular do Poder Executivo.


    Mas, o apreço especial que o TPE tem pela ministra da Saúde não decorre apenas do seu desempenho profissional.
    Sílvia Lutucuta é sobrinha de Jorge Valentim, que, por sua vez, foi afilhado de Sequeira Lourenço, o pai do Presidente João Lourenço.
    Nos aposentos do casal presidencial, a Sílvia Lutucuta é dispensada tratamento geralmente reservado a afilhados benquistos.


    Em paragens onde se cultiva e pratica mesmo a transparência, a Procuradoria-Geral da República e a Inspecção Geral da Administração do Estado teriam entrado em campo “minutos” depois da grave denúncia do Presidente da República.


    Porém, em Angola, tanto Hélder Pitta-Gróz quanto João Pinto ainda devem estar a avaliar os riscos de uma intervenção num assunto que envolve uma “afilhada” do Presidente da República.


    Depois de sobreviver às trapalhadas da Covid-19 e tantas outras, não há como evitar a conclusão de que a ministra da Saúde é protegida por uma impenetrável cúpula de ferro.

    GRAÇA CAMPOS

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