Um comunicado que atribui culpas ao povo (o patrão do Presidente da República).

O Conselho de Ministros reuniu-se hoje e confirmou: 22 mortos, 197 feridos e 1.214 detenções. Mas, em vez de explicar as causas da revolta ou assumir responsabilidades, limitou-se a elogiar a actuação das forças de segurança.

Nenhuma palavra sobre a subida do preço do gasóleo. Nenhuma referência à fome. Nenhuma proposta de solução social, nem que fosse inicial.

O comunicado da Presidência da República transforma uma revolta social em “ameaça à paz”, e fala de “elementos infiltrados com intenções perigosas”. Ignora o custo humano da repressão e esconde o custo orçamental de manter mais de mil pessoas presas durante anos e quem ganhará com tudo isto.

Nenhuma palavra de esperança nem de conforto. Nem às famílias enlutadas.

Sobre os economistas que não têm sensibilidade política num momento sensível, nenhuma palavra.

O poder Executivo reconhece o incêndio, mas só fala dos bombeiros. Não explica quem acendeu o fósforo, nem o que fará para evitar novos focos.

CARLOS ALBERTO (JORNALISTA)

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