TRABALHADORES ENCOSTAM NA PAREDE O DIRECTOR PELO SALÁRIO DE 12 MILHÕES

É neste contexto que ganha força a reivindicação de uma revisão salarial.

 

Os trabalhadores não pedem necessariamente privilégios. Pedem que o seu rendimento seja analisado à luz da realidade económica e das responsabilidades que assumem.

 

É por isso que a discussão salarial deve ocupar um lugar central no diálogo entre a administração e a representação sindical.

 

A referência aos 12 milhões de kwanzas

 

Uma das matérias que mais indignação terá provocado entre os trabalhadores, segundo o relato apresentado, foi a descoberta de uma alteração remuneratória associada aos membros do Conselho de Administração. De acordo com as informações relatadas, terá existido uma decisão que elevava a remuneração para valores na ordem dos 12 milhões de kwanzas, situação que, depois de conhecida pelos trabalhadores, terá sido revertida, com a reposição das remunerações anteriormente praticadas.

 

Se uma decisão remuneratória desta dimensão foi efectivamente tomada e posteriormente revertida, os trabalhadores têm razões para pedir esclarecimentos sobre os fundamentos da decisão e os procedimentos utilizados.

 

O que se exige é que os critérios remuneratórios sejam legais, transparentes e devidamente fundamentados, e que a valorização dos trabalhadores não seja permanentemente remetida para um futuro indefinido.

 

1. A dívida da empresa: quanto foi encontrado, quanto foi recuperado e quanto continua por cobrar?

 

Há uma questão que merece particular atenção e que, segundo o relato apresentado, continua sem resposta suficientemente clara: a situação das dívidas da Empresa Portuária do Lobito.

12 MILHÕES DE SALÁRIO DO PCA CELSO ROSA E A SITUAÇÃO DAS DÍVIDAS DA EMPRESA PORTUÁRIA DO LOBITO

Desde a chegada de Celso Rosas, a questão do endividamento da empresa tem sido mencionada como parte do contexto da gestão. Contudo, os trabalhadores pretendem conhecer os resultados concretos das medidas adoptadas para resolver essa situação.

 

É necessário distinguir as dívidas da própria empresa, os valores que a empresa deve a terceiros e os créditos que a empresa tem a receber dos seus devedores.

 

Os trabalhadores questionam: Qual era o montante global das dívidas da empresa quando o actual Conselho de Administração iniciou funções?

Quanto desse montante foi efectivamente pago durante o mandato?

Qual é o valor das dívidas que a empresa ainda mantém perante terceiros?

Qual era o montante global dos créditos a receber de clientes, concessionários e outras entidades?

Quanto foi efectivamente recuperado através de pagamentos e cobranças?

 

1. O prémio de produtividade de 2025: uma expectativa que não deve ficar sem explicação

 

Outra preocupação apresentada diz respeito ao prémio de produtividade relativo ao exercício económico de 2025, que, segundo o relato, não foi atribuído atempadamente em 2026, e foi dado apenas 100 mil kzs para cada trabalhador. A pergunta é: se não há produtividade com que respaldo o conselho atribuíu 100 mil kzs aos trabalhadores?

 

1. A divisão entre trabalhadores e o enfraquecimento da solidariedade laboral

 

Segundo as preocupações apresentadas, o ambiente laboral no Porto do Lobito tem sido marcado por divisões, desconfiança e conflitos entre trabalhadores.

 

A existência de grupos com posições diferentes sobre a administração, a comissão sindical e as reivindicações salariais. Por sua vez, a comissão sindical actual, que supostamente seria quem protege, são os mesmos que fazem acusações e perseguição institucional aos trabalhadores sindicalistas cessantes em coluio com a gestão do Celso Rosas. A quem diz que o jogo está a ser feito para calar os ex sindicalistas. Como o exemplo de um deles que lhe foi instaurado um processo disciplinar feito de uma denúncia feita pela CS actual, sobre uma actividade desportiva já realizada em 2025, enquanto sindicalista e chegou de ser olhado mesmo como inimigo da empresa, e da CS.

 

Os trabalhadores podem discordar quanto às estratégias, aos representantes e às formas de reivindicação. Porém, devem continuar a reconhecer que partilham interesses profissionais comuns.

 

1. O medo e a represália: o preço de uma instituição onde as pessoas preferem calar-se

 

Talvez a consequência mais preocupante deste conjunto de problemas seja a percepção, manifestada por alguns trabalhadores, de que reclamar pode trazer consequências negativas.

 

O receio de represálias, a possibilidade de exposição pública e o medo de ser associado a grupos considerados incómodos podem levar as pessoas a desistir de apresentar as suas preocupações.

 

1. O papel do Ministério dos Transportes: uma instituição estratégica não pode ignorar a voz dos seus trabalhadores

 

Perante este quadro de preocupações, é legítimo que os trabalhadores procurem a intervenção institucional do Ministério dos Transportes, enquanto tutela sectorial, dentro das competências legalmente atribuídas.

 

O pedido não deve ser entendido como uma tentativa de substituir os órgãos de gestão da empresa, mas como um apelo à avaliação de questões que, pela sua relevância, justificam atenção institucional.

 

O Porto do Lobito desempenha um papel estratégico na economia angolana, na movimentação de mercadorias, nas ligações comerciais e no desenvolvimento do Corredor do Lobito.

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