Uma viagem que o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, deveria efectuar esta semana à província de Malanje terá sido adiada de emergência na sequência de informações sobre uma possível manifestação. Segundo apurou o Club-K, populares preparavam-se para sair às ruas para exigir a exoneração do governador Marcos Alexandre Nhunga. Na sequência da situação, ministros que já se encontravam na província terão sido orientados a regressar a Luanda, devendo aguardar por uma nova data para a deslocação presidencial.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Este seria o segundo episódio, na história da governação do MPLA, em que um chefe de Estado se vê confrontado com manifestações ou pedidos públicos da população de Malanje pelo afastamento de um governador. Em Julho de 2002, poucos meses depois do fim da guerra civil, durante uma visita do então Presidente José Eduardo dos Santos à província, a população concentrou-se em grande número para receber o Chefe de Estado. Quando o então governador Flávio João Fernandes se preparava para discursar, foi recebido com vaias e protestos, tendo os populares impedido que falasse e exigido o seu afastamento.
Poucos dias depois, em 23 de Julho de 2002, José Eduardo dos Santos formalizou a exoneração de Flávio Fernandes através do Decreto Presidencial n.º 38/02. No mesmo dia, Cristóvão da Cunha, então comissário provincial-adjunto, foi nomeado governador de Malanje pelo Decreto Presidencial n.º 45/02.
Relatos contemporâneos indicam que José Eduardo dos Santos anunciou a substituição de Flávio Fernandes, que vinha sendo alvo de críticas relacionadas com a actuação das organizações humanitárias em Malanje. Fernandes permaneceu aproximadamente nove anos no cargo.
As actuais críticas e os pedidos de afastamento de Marcos Alexandre Nhunga estão associados, sobretudo, a queixas sobre as condições sociais e a prestação de serviços públicos na província, incluindo o abastecimento de água, a saúde, as infra-estruturas e a execução de obras. O próprio governador reconheceu que algumas decisões do Executivo Provincial, como o realinhamento de instituições junto às vias públicas e a poda de árvores, provocaram resistência da população.
Ao longo de 2026, surgiram igualmente campanhas públicas nas redes sociais questionando a governação de Nhunga.
CLUB K
