Não restando dúvidas de que todo e qualquer passo em falso que eventualmente venha a ser dado pela juventude política que vai emergindo a um ritmo cruzeiro, tornando-se presidenciável nas hostes do partido do Galo Negro poderá mais do significar uma atitude politicamente pouco recomendável, poderá por outro significar um acto de desgaste político desnecessário em sede de um concurso ao cargo de presidente da UNITA em congressos posteriores como consequência de um precipitado e inoportuno avanço contra o Eng° Adalberto Costa Júnior a essa altura de pedra e cal na liderança do Partido, sendo a prior certo que no contexto político actual com maior ou menor dificuldades Adalberto Costa Júnior enquanto candidato à própria sucessão irá cilindrar a concorrência no Congresso a decorrer na reta final do presente ano, com todos os efeitos colaterais supervenientes para o “jovem candidato” derrotado.
1. Em política, saber jogar no espaço e sobretudo com o tempo é uma arte suptil vezes sem conta somente ao alcance dos mais maduros e sábios politicamente. Em política, um passo em falso, podendo até ser na hora certa porém dado no minuto errado pode gerar dissabores e/ou danos de impossível reversão para quem o cometa feito o erro de craço.
Nota:
• Adalberto Costa Júnior é no cenário político angolano, de longe a principal manifestação de quem soube intelintemente esperar pelo momento, ano, mês, dia, minuto e o segundo para avançar ao concurso pelo cadeirão máximo de uma força política (a UNITA);
• Antes mesmo de avançar de modo triunfal para o concurso ao cargo de Presidente da UNITA Adalberto já era de modo destacado a principal estrela do Parlamento Angolano, de onde feito um craque da dimensão de Pelé, Maradona, Cruyff, Messi ou Cristiano Ronaldo realizava incursões políticas de levantar um estádio que se chamava Assembleia Nacional deixando a tempo inteiro durante a legislatura o regime angolano de sentido e aos parafusos, incursões que do ponto de vista prático tornavam ACJ já naquela altura no principal activo da UNITA, secundado pelo malogrado Deputado Raul Danda (de feliz memória) em termos de carisma e popularidade política, num momento em que todavia Samakuva continuava de pedra e cal na liderança do Partido do Galo Negro feito barreira intransponível;
• Não restam dúvidas de que Adalberto Costa Júnior, enquanto parlamentar, embora já tivesse em si encubado o desejo de vir a liderar a UNITA foi inteligente por demais ao esperar pela “partida” do Velho Samakuva, pois dentre vários aspectos, ainda mais num contexto político africano ACJ sabia que Samakuva, embora as sucessivas derrotas às presidenciais lhe tivessem desgastado politicamente este continuava a ter um forte controlo sobre a manobra estratégica e a máquina respeitante aos principais centros de decisão da vida interna da UNITA, pelo que num “choque directo” contra o Velho Samas seria derrota na certa em razão de vários factores internos somados.
2. Gostava de publicamente prestar tamanha vénia ao Partido UNITA pelo facto de desde há muito ter transformado os seus respectivos congressos em importantíssimos baluartes da democracia em Angola, marcado por múltiplas candidaturas, contrariamente ao que sucede por exemplo no seio do Partido dos Camaradas.
O concurso ao cadeirão máximo da UNITA, pela natureza da função decorre da manifestação de uma vontade expressa pelo militante/dirigente que reúna os pressupostos processuais para concorrer ao cargo de Presidente do partido, isto é um facto, todavia somado aos elementos acima é de todo necessário que um putativo pré candidato antes de mais seja inteligente o suficiente para fazer uma profunda leitura do contexto político interno (partido) e externo (país) antes de um avanço que ao fim ao cabo se venha demonstrar contraproducente, inoportuno e precipitado que o leve a percorrer em um campo coberto por areia movediça.
3. DOS CONSELHOS ÚTEIS A RAFAEL MASSANGA SAVIMBI, QUEM SE DIZ NOS BASTIDORES QUE PRETENDE “AVENTURAR-SE” BATENDO DE FRENTE CONTRA ACJ…
• É legítimo que qualquer militante aspire concorrer ao cadeirão máximo da força política em que milite, de todo modo as perguntas que faço ao Mano Rafael Massanga Sakaita Savimbi são as seguintes:
– Mesmo que o Mano pretenda concorrer por convicção e vontade própria, no seu mais profundo ámago acreditas que tens a essa altura capital e estofo político para correr de peito aberto contra o Eng° Adalberto Costa Júnior no próximo Congresso, ou pretendes tão somente avançar para apetrechar o seu currículo político e ser mais um Kachiungo, sendo completamente vulgarizado pela obtenção de um score humilhante num frente a frente com o Eng° Adalberto Costa Júnior?
– Mano Massanga, há pouco mais de dois anos para as próximas eleições gerais do ponto de vista dos ganhos susceptíveis de desalojar o MPLA do poder já em 2027, a UNITA pelo menos até 2027 ganhava ou perdia mais indo para as eleições com o Eng° Adalberto Costa Júnior ante a necessidade de consolidar-se processos até aqui realizados bem como os ganhos obtidos sob o consulado de ACJ?
NOTA: Meu irmão Rafael Massanga Sakaita Savimbi, mais do que lançar-se para uma “aventura” politicamente bastante traiçoeira, enquanto analista e consultor jurídico-político deixo-lhe ficar os seguintes conselhos úteis:
a) Faça uma jogada de mestre que de seguida além de potenciar ao máximo a sua imagem política lhe permita ganhar vantagem sobre os demais concorrentes ao cargo de Presidente da UNITA no período pós ACJ assente no seguinte acto: “em vésperas do Congresso aprazado para o final do ano em curso convoque uma conferência de imprensa na qual diga que pretendias avançar para a disputa ao cadeirão máximo da UNITA porém preferes endossar o teu apoio à candidatura do Eng° ACJ em razão da necessidade da liderança em fim de mandato consolidar os processos políticos internos que levem a UNITA à vitória em 2027″…
b) Caro Massanga, os resultados do pleito eleitoral aprazado para 2027 caso a UNITA venha perder sob batuta de ACJ decerto significará o fim de um ciclo na liderança da UNITA, abrindo-se espaço para a injeção de s*angue novo, não se descartando uma hipótica renúncia de ACJ no período posterior às eleições, abrindo uma vacatura na liderança, dando azo a eleições internas antecipadas da qual o Mano Massanga poderá concorrer com uma imagem intransponível de um patriota de rara espécie que tivera no Congresso anterior consentido sacrifícios em prol do Partido e do País de um modo geral.
c) Bem vista as coisas, e porque os factos apontam para este sentido, a essa altura dentre os jovens presidenciáveis no seio da UNITA na calha de sucessão ao Eng° ACJ figuras como o Mano Liberty Chiyaka e sobretudo o Dr. Adriano Abel Sapiñala (que desde há muito goza de “fórum privilegiado” de actuação em razão do facto de lidar simultaneamente de modo directo e a tempo inteiro com as massas do partido, a elite do partido, a sociedade civil e os intelectuais do país) estarem a essa altura melhor posicionados na linha de sucessão, ante um Mano Massanga que de algum tempo para cá vem exercendo um cargo de “baixa visibilidade política” junto das massas política afectas ao partido.
– Smith Adebayo Chicoty: Consultor Jurídico-Político e Especialista em Comunicação Estratégica, em I Reflexão sobre o Próximo Congresso Ordinário da UNITA;
Em Luanda, Sexta-feira, aos 31 de Janeiro.