Mais uma vez, Manuel Homem confirma aquilo que muitos cidadãos já perceberam: muita visibilidade nas redes sociais, mas pouca coragem política para enfrentar os problemas reais do país.
Perante um crime grave e chocante, envolvendo agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), o ministro limitou-se a comunicados e vídeos ensaiados, prometendo responsabilização. Como já se tornou hábito, tudo não passou de retórica para consumo público. Nenhuma consequência concreta. Nenhuma decisão exemplar.
Num Estado que se diz de Direito, o procedimento normal teria sido a suspensão imediata da comandante da PIR do Cunene, até ao total esclarecimento dos factos. Mas isso exigiria autoridade política e independência — duas qualidades que este ministro demonstra apenas no discurso.
A pergunta impõe-se: se as vítimas fossem do Norte do país ou da terra natal do próprio ministro, o silêncio seria o mesmo?
A resposta é evidente. Como se trata do Cunene, uma província historicamente tratada com desprezo institucional, o caso foi reduzido a “barulho de TikTok”, rapidamente abafado.
O Ministério do Interior iniciou este processo com alarido mediático, mas recuou quando chegou o momento de enfrentar interesses instalados. A verdade é dura, mas clara:
• Existem vídeos em que a comandante da PIR orienta a tortura de colegas;
• O procurador que conduzia o processo foi transferido, numa manobra evidente para esvaziar o caso;
• A comandante goza de proteção de altas patentes da Polícia, do Ministério e de figuras ligadas às FAA;
• Por essa razão, nunca foi suspensa, apesar da gravidade das acusações.
Estamos perante um padrão perigoso: impunidade para os poderosos e abandono para os fracos.
A comandante da PIR no Cunene colocou-se acima das autoridades locais, da governadora e das instituições da província. Amparada por proteção superior, governa a sua unidade com medo, divisão e autoritarismo. Há efetivos silenciados, colegas intimidados e um ambiente interno marcado pelo receio de represálias.
Não se trata apenas de um caso disciplinar. Trata-se de dignidade humana, de justiça e de respeito pelo Estado de Direito.
Continuaremos a denunciar este caso, nas instituições e, se necessário, nas ruas, de forma cívica e pacífica, até que a justiça seja feita e a verdade prevaleça.
Concluo citando o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço:
“Ninguém é suficientemente poderoso para estar acima da lei.
Ninguém é pobre demais para não merecer a proteção do Estado.”
Lito Deputado


