O processo de candidaturas para o cargo de Primeiro Secretário Comunal do MPLA na Comuna do Kima Kieza, Município do Cazenga, está no centro de uma forte contestação política. Mvemba André, mandatário da candidatura do Camarada Gil Sebastião, denunciou publicamente a existência de irregularidades graves, duplo critério na avaliação dos processos e evidente conflito de interesses que ameaça a transparência e a coesão interna do Partido na localidade.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Segundo o mandatário, a comissão encarregue de fiscalizar e validar as candidaturas carece de total isenção.
“A Subcomissão de Candidaturas local foi coordenada pelo próprio Coordenador de Disciplina e Auditoria – CDA da direção cessante, numa altura em que estes mesmos membros se encontravam em plena campanha pela sua própria recondução. Não é aceitável, sob o ponto de vista da ética administrativa, que se seja árbitro e jogador no mesmo campeonato”, defende Mvemba André.
Dois Pesos e Duas Medidas na Validação dos Processos
A denúncia aponta para um tratamento manifestamente desigual e contraditório entre as candidaturas apresentadas:
1. Chumbo por Razões Sanáveis
A candidatura de Gil Sebastião cumpriu rigorosamente os prazos estabelecidos e apresentou o apoio de 1.070 assinaturas de militantes. Foi indeferida pela comissão sob o pretexto técnico da ausência de cópias do Bilhete de Identidade em apenas alguns processos individuais, desrespeitando o princípio da verdade material.
2. Validação Fora do Prazo Legal
Em contrapartida, a comissão validou a candidatura do actual Secretário e candidato à sucessão, Arsénio Gonçalves Mamboso, apesar da sua equipa ter violado de forma flagrante o prazo oficial de entrega, que encerrou impreterivelmente às 12h00 de segunda-feira, 08 de Junho de 2026.
De acordo com evidências apresentadas, a equipa do candidato cessante continuou a recolher assinaturas até às 17h00 de quarta-feira, 10 de Junho de 2026 — dois dias após o fecho regulamentar — por manifesta incapacidade de atingir o quórum obrigatório de 1.000 subscritores a tempo.
O mandatário acrescenta que as assinaturas em falta foram obtidas de forma coerciva durante a Assembleia dos Comités de Acção do Partido – CAP.
“Se não fosse essa recolha forçada à última hora, a candidatura adversária não teria alcançado sequer 500 assinaturas”, sublinha Mvemba André.
Silêncio das Instâncias Municipais Força o Alerta Público
Numa postura construtiva e de respeito às normas estatutárias do Partido, a equipa de Gil Sebastião esgotou primeiro os canais institucionais antes de trazer o caso a público. Mvemba André confirmou que já deu entrada com exposições e reclamações formais por escrito dirigidas à Coordenadora Municipal do Partido e à CDA do Município do Cazenga. No entanto, até ao momento, as autoridades municipais mantêm-se em silêncio e nenhuma solução foi apresentada.
Para a candidatura de Gil Sebastião, a publicação desta matéria não visa atacar a organização, mas sim salvaguardar a sua integridade.
“Silenciar perante o atropelo das normas e dos prazos é enfraquecer o Partido perante os cidadãos e afastar as bases que sustentam a nossa organização. Este é um apelo firme e construtivo à Direção do Partido para que intervenha com urgência, ordene uma auditoria ao processo, reponha a legalidade e garanta um escrutínio verdadeiramente justo, transparente e democrático na Comuna do Kima Kieza”, concluiu o mandatário Mvemba André.
