Novos elementos reunidos por esta investigação lançam mais dúvidas sobre o polémico caso Africa4Less, envolvendo alegações de burla, fuga à justiça e possível comparticipação de figuras politicamente expostas. No centro do caso está Winduka Calado Rodrigues Dinis, apontado como principal responsável pela aquisição controversa da empresa Africa4Less, e que, segundo fontes próximas do processo, encontra-se atualmente em Portugal, onde viverá com a esposa, filha de uma antiga governadora da província de Cabinda.

REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM

Um negócio milionário envolto em controvérsia

 

De acordo com documentos judiciais e contratuais consultados, em julho de 2014 foi celebrado um acordo de compra e venda e cedência total de quotas da empresa ÁFRICA4LESS, LDA, então pertencente ao empresário Alfredo Macosso Malamana. O valor global do negócio foi fixado em 200 milhões de kwanzas, montante que à data correspondia a cerca de 2 milhões de dólares norte-americanos.

 

O acordo previa que o comprador, Winduka Calado Rodrigues Dinis, efetuasse um pagamento inicial de 40 milhões de kwanzas, após a celebração da escritura pública, ficando estabelecido um período de carência associado a um crédito bancário existente junto do Banco de Fomento Angolano (BFA), no valor de 40.078.000 kwanzas, crédito esse que o comprador teria assumido liquidar.

 

Segundo o mesmo acordo, Winduka Dinis passou a ser apresentado junto do banco como novo proprietário e sócio da empresa, num processo que, à época, teria como objetivo garantir a viabilidade financeira e jurídica da transação.

 

Fuga à justiça e ligações familiares influentes

 

Fontes ligadas ao processo indicam que, após o incumprimento de várias obrigações financeiras previstas no acordo, Winduka Rodrigues Dinis passou a evitar a justiça angolana. Atualmente, segundo essas mesmas fontes, encontra-se a residir em Portugal, beneficiando de uma rede de proteção familiar e social, uma vez que a sua esposa é filha de uma ex-governadora de Cabinda.

 

Apesar das tentativas de responsabilização judicial, o processo tem enfrentado entraves, alimentando suspeitas de influência política e institucional.

 

Um novo capítulo do caso surgiu recentemente com a circulação de um áudio atribuído à camarada Aldina Catembo, militante do MPLA, no qual a mesma afirma não ter qualquer ligação à empresa Africa4Less nem ao negócio realizado pelo seu genro, negando participação direta ou indireta.

 

No entanto, novos vídeos e registos visuais divulgados nas redes sociais parecem contrariar essa versão. As imagens mostram viaturas identificadas como pertencentes à empresa Africa4Less estacionadas no quintal de empresas associadas à família da ex-governadora, além de relatos de que alguns desses veículos estariam a ser utilizados para compras e operações comerciais na República do Congo Brazzaville e na República Democrática do Congo.

 

Indícios financeiros sob análise

 

Outro ponto sensível da investigação prende-se com alegadas transferências bancárias. Documentos que circulam entre as partes envolvidas indicam a existência de movimentações financeiras da conta da empresa Africa4Less para uma conta pessoal atribuída a Aldina Catembo. Estes elementos, ainda por confirmação judicial definitiva, reforçam suspeitas de uma possível comparticipação direta, apesar das negações públicas.

 

Responsabilidades e silêncio oficial

 

Em “bocas pequenas”, como referem fontes locais, Winduka Rodrigues Dinis terá adquirido a empresa em seu nome, mas sob orientação e aconselhamento direto de Aldina Catembo, sendo os “frutos” desse negócio hoje visíveis através do uso dos ativos da empresa e do alegado benefício pessoal de terceiros.

 

Até ao momento, não houve pronunciamento oficial das autoridades judiciais, nem uma resposta pública detalhada por parte dos visados às novas denúncias e materiais divulgados.

 

Um caso que expõe fragilidades

 

O caso Africa4Less expõe, uma vez mais, fragilidades no controlo dos negócios empresariais, na responsabilização de gestores e na relação entre poder político e interesses privados. À medida que novos elementos surgem, cresce a pressão da opinião pública para que o processo avance de forma transparente, garantindo que todos os factos sejam apurados e que eventuais responsabilidades sejam efetivamente assumidas.

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