Deputados angolanos do MPLA e da UNITA estão a ser instados a promover uma sindicância urgente à Rádio Nacional de Angola (RNA), após surgirem suspeitas de desvios de fundos públicos sob tutela do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS).
Documentos em posse do jornalista Coque Mukuta indicam que mais de três biliões de kwanzas terão ficado sob controlo directo de Mário Oliveira, actual ministro, e Manuel Homem, antigo titular do sector, no âmbito de projectos de modernização da RNA. A informação consta do primeiro de quatro dossiês investigativos em análise do profissional.
Segundo a documentação, as alegadas irregularidades envolvem a retenção de 10% de um contrato avaliado em 39,4 milhões de dólares com a empresa norte-americana GATESAIR, vencedora de um concurso internacional para a modernização técnica da RNA, bem como desvios de verbas públicas alocadas antes e depois das eleições gerais de 2022.
Entre os valores sob suspeita constam cerca de 1,4 biliões de kwanzas destinados ao apetrechamento técnico da RNA na véspera do pleito eleitoral, 900 milhões de kwanzas autorizados pelo Presidente da República para a reabilitação das infraestruturas centrais da emissora, além de outros montantes cuja origem e destino não estão claramente justificados.
Os documentos apontam ainda irregularidades no pagamento de salários e direitos de antigos funcionários e reformados da RNA.
Face às revelações, Coque Mukuta anunciou que irá formalizar um pedido de sindicância e exoneração junto da Presidência da República e dos grupos parlamentares do MPLA e da UNITA, defendendo uma investigação independente para apurar responsabilidades políticas, administrativas e criminais.
