O Dondo é hoje o retrato vivo da traição política contra o povo do Kwanza Norte. Uma cidade que já brilhou, que já ergueu orgulho e história, agora foi atirada ao abismo da desgraça por governantes que se alimentam da miséria coletiva e fazem da desgovernação o seu método de poder.

Aqui, não é apenas abandono. É maldade institucionalizada. É um projeto frio e calculado de empurrar cidadãos para a lama, enquanto uns poucos ostentam riquezas saqueadas dos cofres públicos. No Dondo, o povo não encontra escolas decentes, hospitais dignos, estradas transitáveis nem emprego estável. O que encontra é um deserto de políticas, um vazio de liderança e um Estado que só aparece para cobrar impostos e reprimir vozes inconformadas.

Chamar a isto “desgovernação” é pouco. É uma ofensa à vida, um atentado contra a dignidade humana e uma confissão pública de que quem governa perdeu qualquer laço de responsabilidade moral e política com os governados.

O Dondo não é apenas uma cidade esquecida; é o cemitério das promessas do regime, a prova gritante de que a governação em Angola não serve ao povo, mas apenas à perpetuação de uma elite que se escuda na indiferença e na impunidade.

JOSÉ DEMBUE

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