Em Outubro deste ano o Governo Provincial de Luanda (GPL), prometeu acabar com a venda de motores de viaturas nos mercados informais e concentrar esta actividade comercial na cidade dos motores, situado no Golfe-2, orientação não esta a ser cumprida pela administração do Kilamba Kiaxi que encerrou no principio deste mês o local sem qualquer orientação judicial ou de forma administrativa o mercado oficial de venda peças de automóveis
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Segundo o GPL já existe um centro comercial, denominado a cidade dos motores, aonde os vendedores e lojas de venda de motores foram transferidos, saindo do bairro Neves Bendinha e alguns que vendiam de forma desordenada no mercado dos Correios. As lojas foram proibidas de comercializar estes artigos e só devem vender assessórios.
No mercado dos Correios no município do Kilamba Kiaxi, tido como um dos maiores na venda de peças para automóveis em Luanda, muitos de proveniência no contrabando de desmanches de viaturas ainda continuam em locais a céu aberto, mas ainda não deixou de acontecer, porque a administração local tem tirado contrapartida nessas acções duvidosas.
Podemos apurar que o governo de Luanda pretende que essa actividade seja feita num local único e em zona organizada. ‘’A concentração deste negócio num único espaço irá permitir aos órgãos de defesa e segurança identificar e aprender motores roubados e desmontados. Toda a venda de motores fora deste mercado será suspeita e a polícia vai ter que apreender. Queremos inverter o quadro actual da venda anárquica de motores e formalizar esta actividade económica’’, disse a fonte.
Em Agosto último o vice-governador para o sector económico Jorge Miguêns Augusto, esteve a constatar as infra-estruturas da cidade dos motores aonde aferiu o estado e o nível de cumprimento da primeira fase daquele projecto, que prevê contar, além das 66 lojas, com escritórios, restaurantes e um parque de estacionamento. Após passar por cada um dos compartimentos, o governante elogiou a iniciativa, mas chamou atenção para a importância da organização, deixando orientações precisas, no sentido de os associados se unirem em cooperativas.
Reforçou, ainda, na necessidade de se continuar a trabalhar para o passo seguinte, que é a electrificação e asfaltagem da via de acesso a cidade dos motores. Acompanharam a visita a administradora municipal Naulila Masisa Fernandes André e o director provincial para o desenvolvimento económico integrado Dorivaldo Adão.
Corrupção
Os mais de 200 funcionários que antes faziam a venda de motores no bairro Neves Bendinha e no mercado dos Correios, com o encerramento da cidade dos motores estes estão no desemprego e outros que anteriormente estavam no mundo da criminalidade podem regressar, não tem como sustentar as suas famílias.
Acusaram a administradora de não obedecer as orientações do governador provincial e esta a desafiar as propostas do Presidente da República na criação de empregos. ‘’A administradora Naulila André tem recebido propinas por parte dos comerciantes que tem motores no mercado dos Correis e que trabalham sem condições de higiene. Existe um grupo bem organizado que dão propinas mensal administradora no valor de 5 milhões de Kwanzas mensais para não deixarem o local e irem para a cidade dos motores. Estes comerciantes para além das propinas pagam também uma taxa diária a administração no valor de cinco mil Kwanzas cada vender’’, disse Pedro Macala.
Por sua vez, o mecânico Venâncio Morais que encontrou o seu emprego na cidade dos motores, sublinha, antes fazia o seu trabalho de mecânica na rua e tinha muitos problemas com os fiscais, ‘’muitas vezes tínhamos que nos organizar e no final do dia pagávamos o chefe da fiscalização do Golfe para não impedir os nossos trabalhos. Agora com o surgimento da cidade dos motores consegui um trabalho, e agora fomos impedidos de não exercemos as nossas funções e não temos o que dar de comer nas nossas famílias. Não sabemos o que os nossos chefes fizeram na administradora para colocar muita gente no desemprego’’, lamenta.
Contactada hoje sexta-feira 19 ao telefone, por volta das 1 horas, a administradora municipal Naulila André, não atendeu as nossas ligações, assim como lhe foi enviada mensagem não se dignou em responder. Nesse mesmo dia a nossa reportagem se deslocou para o director provincial para o desenvolvimento económico integrado para ouvir o seu responsável, Dorivaldo Adão, a sua secretaria nos disse que o mesmo não se encontrava no gabinete.
Ligada ao gabinete do director provincial para o desenvolvimento económico, garantiu que o governador provincial de Luanda não orientou o encerramento da cidade dos motores, ‘’se aconteceu é da responsabilidade da administradora municipal. No GPL não saiu nada a orientar o seu encerramento. Não podemos deixar que esses jovens ficam no desemprego. Temos como objectivo esses jovens estarem inseridos no mercado de trabalho’’, assegurou.
J. PUNGO A NDONGO

