Arlindo Francisco Vieira dos Santos, administrador do município do Kilamba, esta ser acusado pelos moradores e empresários do Kilamba Norte (cidades do Kilamba), de fazer ouvidos de mercador, quando do nada surge o mandado de restituição provisória da posse de 412 hectares (o equivalente a aproximadamente 37 campos de futebol), a favor de Yamba Garcia e suas empresas associadas, que diz herdar do antigo presidente José Eduardo dos Santos.
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Necuma Mugimbo, também conhecido por Belo Zulo, coordenador da urbanização 50, disse ao Na Lente do Crime, “estamos insatisfeitos com a situação que se arrasta desde segunda-feira 20 de Outubro até hoje sábado 25″.
Continuamos a ser impedidos de entrar nas nossas residências e nas obras, por um grupo de milícias. Mais de 200 homens encapusados, barraram as entradas com contentores, agrediam pessoas e a administração não se pronuncia até ao momento! Afinal temos ou não administrador? O senhor Arlindo dos Santos administra, pessoas ou terras…
“Há 4 anos que os terrenos nos foram cedidos pela gestora Codurba, podem lá ir observar os dados, temos direito de superfície, alguns com licença de construção passadas pela administração”.
O senhor Yamba Garcia, diz ser antigo cozinheiro do ex-presidente José Eduardo dos Santos, que lhe cedeu/ofereceu 412 hectares. Na companhia da escrivã Jéssica Pinto, dirigiu-se aos terrenos, com mais 200 homens, trajados de roupas pretas, a mando de Isidro Coutinho juíz de direito do tribunal da comarca de Luanda, sala do cível.
Sabe o Na Lente, Isidro Coutinho, também esta envolvido num litígio de terras no Benfica que envolve a senhora Victoria Francisco Vicente e a empresa Genea Angola.
USD 50 milhões pode estar em causa
Segundo o entrevistado ao Na Lente do Crime, “temos informações por confirmar, 50 milhões de dólares é o montante que um financiador chinês promete pagar para adquirir os 412 hectares das mãos do administrador e do juíz”.
Terá este mandato cunho jurídico?
Espanta-nos o facto do mandado de restituição não ter carimbo nem assinatura do juíz Isidro Coutinho, assinado apenas pela escrivã Jéssica Pinto, assevera o nosso interlocutor!
“Não se percebe que um único indivíduo torna-se dono de 412 hectares, como podem observar no croquis de localização, repara que o “artista” Yamba Garcia e comparsas, diz ser dono de tudo isto”. Metade do Kilamba. Isola apenas o condomínio Orlando, porque sabe que os donos têm “costas largas”.
Adianta também, que não houve vítimas mortais, porque a intervenção da comandante “Vilma” foi oportuna, orientando a abertura das ruas na quarta-feira 22.
Da parte da administração nada a dizer, “eles estão a fazer ouvidos de mercador, deviam ser mais atenciosos e carinhosos com a população. Analisar os documentos do sr. Yamba Garcia de forma minusiosa, porque já conhecemos as suas práticas, muito pouco ortodoxas, e também pelo facto do mesmo gozar de boa simpatia a nível da administração do estado.
Na Lente, apontou ainda que Yamba e companhia não possui direito de superfície , detendo apenas título de concessão agrícola o qual é temporário e possui prazo determinado.
Batata quente para Arlindo dos Santos
Na Lente do Crime teve acesso aos ofícios da medida cautelar deferida a favor do requerente dando a conhecer a administração e a polícia nacional provenientes do tribunal da comarca de Luanda. Ofício nº 1339/ 3ª secção do cível/2025 processo nº 73/2025-F. No ofício 1337/3ª secção do cível com o mesmo número de processo, o tribunal pede a cooperação e colaboração das entidades.
Um terceiro documento, refere-se a um mandado de restituição provisória da posse, processo nº 73/2025-F da 3ª secção do cível, onde o juíz Isidro Coutinho, manda e ordena a restituição do espaço a favor de Yamba Garcia. O mais caricato é que o documento não apresenta qualquer carimbo e, é assinado apenas pela escrivã Jéssica Pinto.
Na procura da verdade material, tentamos por duas ocasiões contactar a administração na quarta-feira 22, pelas 10H00 e na segunda-feira 27 às 09H00 sem sucesso. O gabinete de comunicação apenas nos solicitou os números de telefone para voltar a nos contactar.
Contactámos o gabinete de comunicação do Tribunal da comarca de Luanda, o seu representante conhecido por Ulisses, ficou apenas pela promessa de pronunciar-se nos próximos dias.
No apuramento, Na Lente sabe que constituem também o puzzle desta “novela”, o gabinete de advogados Mandinga Imobiliária Limitada, representada por Massada António Culembala e Miguel Marcelo de Sousa Cabitango.

