O MPLA não é tão forte como parece. Nós é que somos desorganizados na forma de lutar contra ele. Não quero com isto menosprezar o nosso colono preto, mas enfatizar que a sua fortaleza vem da nossa desorganização e da nossa desarticulação.
Existe um calcanhar de Aquiles para todos os regimes ditatoriais: a desobediência civil, a não cooperação e a força das ruas. Aprofundem o estudo e conhecimento destes 3 métodos. Mas cada um deles deve ser estrategicamente planeado e aplicado no momento certo. O que temos feito aqui, é mesmo um conjunto de acções sem planeamento e de forma emocionada.
Se conseguirmos mobilizar e preparar o povo para este desafio, seja agora ou depois de 2027, Angola não será a mesma. Podemos até não derrubar o MPLA, mas enfraquecê-lo todos os dias até ao golpe final, deve ser uma das nossas metas.
Este desafio tem de começar agora.
Precisamos criar aquilo a que eu tenho chamado PCR (Pensamento Colectivo Revolucionário). O pensamento revolucionário tem de deixar de ser monopólio ou privilégio do Osvaldo Kaholo, do Gangsta77, do Francisco Teixeira MEA, do Adolfo Campos, do Alexandre Barros, da Laurinda Gouveia, do Tanaice Neutro, do Sangoma Katari Negralhada Lapino Lapino, do Nelson Mucazo e de tantos outros. Tem de ser um pensamento do povo, no seu todo, caso não, da maioria. A ideologia revolucionária deve permear a cultura de massas e deixar de ser privilégio de elite ou de alguns poucos.
Nenhum homem liberta um povo. Mas é o povo que se liberta a si mesmo com impulso de um homem ou de um grupo de homens. Está é a mensagem que precisamos levar para este povo, para que ele não espere por heróis nem messias. Mas que seja ele mesmo, o herói e o messias de si, portanto, o vector máximo da mudança que se pretende.
Um povo que impõe a si desafios e sacrifícios, liberta-se.
Precisamos deixar de vender a ilusão ao povo de que activistas e revolucionários vão libertar Angola das garras do MPLA. É o povo que vai libertar-se a si mesmo. Esta é a verdadeira mensagem de esperança que precisamos disseminar. O MPLA só não caiu até hoje, porque o povo não se envolve na luta e deixa que uns poucos façam este papel.
Estamos num momento desafiador da luta. E todos somos poucos, se trabalharmos separados, mas juntos somos todos se trabalharmos unidos.
O Nós, o Todos e a Força não existem onde há separação, fragmentação e dispersão. Existem onde há o somatório das forças colectivas e que trabalham de forma coordenada e disciplinada.
Independentemente de ideologias divergentes, a busca da unidade dialéctica, seja pelo discurso da alternância como pelo discurso da revolta e resistência popular são caminhos que podem salvar Angola. Não vamos perder tempo em escolher a melhor ideologia. O nosso objectivo é avançar com as duas e a história encarregar-se-á de mostrar qual delas deve se impor a dado momento.
O nosso desafio é unir o povo, mas o maior de todos é levar o povo a agir e não a se conformar. A ser activo e não passivo. O nosso árduo trabalho é conscientizar e capacitar o povo a lutar com ou sem a intervenção de um activista. O vector de luta não deve ser unicamente o activista, mas o povo no seu todo.
Está é a única Angola que temos.
Juntos por Angola.
Esta é minha mensagem de bom dia, hoje, 05 de Junho de 2026.
Atenciosamente, o vosso irmão Geraldo NDALA.
Cidadão e professor.
