Em meio às suplicas e clamor dos alunos, pais e encarregados de educação de distintas escolas do município de Mussungue, Dundo, Cambulo, Chitato e outros sobre o mau estado das escolas que se encontram sem carteiras, casas de banho, portas e janelas, a Governadora da Lunda Norte decide comprar e entregar viaturas de apoio aos gabinetes provinciais.
É difícil ficar indiferente ao ver crianças sentadas no chão enquanto estudam, enquanto o Governo gasta dinheiro em compra de viaturas para gabinetes provinciais. Essa realidade revela uma falta de prioridade nas questões mais essenciais, como a educação.
Quando vejo uma escola onde as crianças sentam no chão porque não há cadeiras, ou onde o calor e a poeira penetra pelas janelas e portas porque não são cobertas, sinto uma indignação que não pode ficar só na minha mente. Ao mesmo tempo que esses veículos chegam à garagem com pneus brilhantes e motores potentes, enquanto os estudantes continuam a estudar em ambientes que quase não garantem segurança, dignidade e nem transmissão de conhecimento, me revolto contra quem tem o poder de resolver o problema.
De qualquer forma, enquanto existe dinheiro suficiente para compra de carros para dirigentes e/ou instituições, não pode faltar verbas suficientes para colocar carteiras e apetrechar escolas.
O impacto da falta de carteiras, quadros e outros materiais escolares vai além do desconforto imediato: crianças expostas a ambientes insalubres têm maior risco de doenças e maior probabilidade de não assimilar os conhecimentos. O que deve se fazer agora? É preciso que aquele que responde pelo titular do poder executivo da Lunda-Norte destina orçamentos específico para compra de carteiras duráveis e para reforma das casas de banho com sanitários modernos e sistemas de drenagem eficientes. Uma manutenção preventiva trimestral das portas e janelas deve ser contratada por empresas especializadas, com um fundo comunitário alimentado pela Administração Municipal, Governo Provincial e pelas outras iniciativas.
Não é apenas sobre comprar viaturas; trata-se de garantir dignidade e futuro às crianças. Doi o coração quando os olhos vê as viaturas compradas a deslizar pelos corredores administrativos, milhares de crianças continuam aprendendo em sombras de cadeiras quebradas, janelas e portas vazias. A educação, principalmente o ensino primário e I° o Ciclo deve se colocar no centro das decisões e prioridades do plano de governação, que começa com condições básicas adequadas nas escolas.
Por: António Chibuabua Martins, Activista Social.
