BALANÇO SOBRE A SITUAÇÃO AMBIENTAL EM ANGOLA- 2025
Avanços, Recuos e Perspectivas (Ano 2025 | Projeções 2026)
Entidade Elaboradora: Minuto Verde – Organização não Governamental Vocacionada à Defesa do ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável
1. INTRODUÇÃO
A Minuto Verde apresenta o presente balanço Analítico sobre a Situação Ambiental em Angola, com incidência no ano de 2025 e projeções estratégicas para 2026.
O documento tem como objectivo proceder a uma análise rigorosa dos avanços, recuos e desafios registados no domínio ambiental, bem como formular perspetivas e recomendações que possam contribuir para o reforço da governação ambiental e para a consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 Enquadramento Geral da Situação Ambiental em 2025
O ano de 2025 ficou marcado por uma crescente centralidade das questões ambientais no discurso político e institucional em Angola. Temas como as alterações climáticas, a conservação da biodiversidade, a gestão sustentável dos resíduos, o saneamento básico e o acesso à água potável passaram a ocupar espaço relevante nas agendas públicas nacionais e internacionais.
Todavia, esta evolução discursiva e estratégica revelou-se, em vários contextos, desalinhada com a realidade prática no terreno, persistindo limitações estruturais ao nível da implementação efetiva das políticas públicas ambientais, sobretudo nas administrações locais e nas comunidades mais vulneráveis.
2.2 Avanços Registados no Ano de 2025
2.2.1 Reforço do Quadro Político e Estratégico Ambiental
Durante o ano de 2025, o Executivo angolano analisou, aprovou ou deu continuidade a instrumentos estratégicos relevantes para o sector ambiental, com destaque para:
Estratégias nacionais ligadas à biodiversidade para o período 2025–2030;
Planos específicos de conservação de espécies e ecossistemas;
Integração progressiva das questões ambientais nos instrumentos de planeamento de médio prazo.
Estes instrumentos demonstram um esforço de alinhamento de Angola com os compromissos internacionais assumidos no âmbito do Acordo de Paris e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
2.2.2 Gestão de Resíduos e Economia Circular
Registou-se igualmente um avanço no debate nacional sobre a gestão de resíduos sólidos urbanos e economia circular, com a realização de eventos e plataformas de reflexão, como feiras e conferências dedicadas à reciclagem, reutilização e redução de resíduos. Estas iniciativas contribuíram para reforçar a consciencialização pública e institucional sobre a necessidade de transição para modelos mais sustentáveis de consumo e produção.
2.2.3 Educação e Sensibilização Ambiental
Em 2025, Angola reforçou a sua presença em espaços de debate sobre educação ambiental, tanto a nível nacional como internacional, incluindo a participação em fóruns da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Este posicionamento evidencia o reconhecimento da educação ambiental como pilar estruturante para a mudança de comportamentos e para a sustentabilidade a longo prazo.
2.3 Diplomacia Ambiental e Participação de Angola nos Fóruns Internacionais
Um dos avanços mais relevantes registados em 2025 foi o reforço da diplomacia ambiental angolana, materializada pela participação ativa do país nos grandes palcos internacionais de debate sobre as alterações climáticas, com destaque para as Conferências das Partes (COP) e outros fóruns multilaterais africanos e globais.
Estas participações permitiram a Angola:
Afirmar-se como país vulnerável aos impactos das mudanças climáticas;
Defender os interesses dos países africanos e em desenvolvimento;
Apresentar compromissos nacionais atualizados no domínio da mitigação e adaptação climática;
Reforçar parcerias estratégicas e mecanismos de cooperação internacional.
A Minuto Verde considera esta presença internacional um avanço político e diplomático significativo, embora ressalve a necessidade de assegurar uma maior internalização dos compromissos assumidos, traduzindo-os em políticas públicas eficazes e ações concretas ao nível nacional e local.
2.4 Recuos e Principais Desafios Identificados em 2025
Apesar dos progressos registados, o ano de 2025 evidenciou recuos e fragilidades persistentes, nomeadamente:
Continuação de práticas ambientalmente nocivas, como queimadas descontroladas, desflorestação e poluição;
Insuficiência de fiscalização ambiental e de meios técnicos ao nível municipal e comunal;
Caráter pontual e não estruturado de muitas ações de educação ambiental;
Elevada vulnerabilidade de comunidades com fraco acesso ao saneamento básico e à água potável.
Estes fatores comprometem a eficácia das políticas ambientais e revelam a necessidade de reforçar a articulação entre o nível central e o local.
3. CONCLUSÃO
A análise da situação ambiental em Angola no ano de 2025 permite concluir que o país registou avanços relevantes no plano estratégico, institucional e diplomático, com maior visibilidade internacional e reforço do enquadramento político do setor ambiental.
Todavia, estes avanços permanecem, em grande medida, concentrados ao nível normativo e discursivo, carecendo de maior materialização prática no território. Persistem desafios estruturais ligados à implementação, fiscalização, educação ambiental contínua e inclusão efetiva das comunidades.
O ano de 2025 pode, assim, ser caracterizado como um período de consolidação política e de afirmação internacional, mas ainda insuficiente para produzir impactos ambientais estruturantes e duradouros.
4. PERSPECTIVAS E RECOMENDAÇÕES PARA 2026
Face ao diagnóstico efetuado, a Minuto Verde apresenta as seguintes perspetivas e recomendações para 2026:
4.1 Fortalecimento da Educação Ambiental Estruturada
Institucionalizar programas permanentes de educação ambiental;
Integrar de forma sistemática a educação ambiental nos currículos escolares e comunitários.
4.2 Reforço da Governação Ambiental Local
Capacitar técnica e financeiramente as administrações locais;
Criar ou fortalecer departamentos municipais de ambiente e fiscalização.
4.3 Internalização dos Compromissos Internacionais
Traduzir os compromissos assumidos nas COP e outros fóruns em políticas públicas concretas;
Garantir que os benefícios da cooperação climática cheguem efetivamente às comunidades mais vulneráveis.
4.4 Consolidação da Parceria Estado–Sociedade Civil
Estabelecer mecanismos formais de consulta e participação;
Reconhecer as organizações ambientais como parceiras estratégicas na formulação e monitorização das políticas públicas ambientais.
Ass: Rafael Lucas/ Présidente da MINUTO VERDE
