O ministro de Estado para Coordenação Económica prolatou-se sobre a proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026. Fê-lo em declarações ao Telejornal da TPA. José Massano anunciou a boa-nova com o seu sorriso Colgate: “Pela primeira vez, as receitas não petrolíferas superaram as petrolíferas.” Anúncio triunfalista. Teatro sem texto. Um feito digno de fanfarra. Um milagre de economia bíblica. Aleluia!
Mas confesso: Fiquei com uma pulga atrás da orelha. Quis perceber como é que tal maravilha se operou. Se Massano estava a transformar o espaço público num parque de diversões e o cidadão contribuinte num brinquedo de corda. Mordi os lábios. Cocei a cabeça. Torci o nariz. Peguei no telefone. Escrevi a um amigo economista. Pediu anonimato. Vou respeitar. Como sempre faço. Enviei a dúvida ao meio-dia. A resposta chegou só pela meia-noite. Mas chegou.
Começou assim:
“As receitas não petrolíferas só superariam as petrolíferas se Angola tivesse aumentado significativamente a arrecadação interna, combatido a evasão fiscal e diversificado a economia”. Tal não aconteceu. Prosseguiu:
“O País teria de expandir sectores como a agricultura, a mineração, as telecomunicações e os serviços. E reduzir a dependência do preço do petróleo”. Tal não aconteceu!
E concluiu, sem rodeios:
“No cenário actual, é improvável que as receitas não petrolíferas superem as petrolíferas a curto prazo. O petróleo continua a ser o motor das divisas e das receitas fiscais.” Tal não aconteceu!
Aqui está o dado que desmonta o teatro do ministro de Estado para Coordenação Económica: Em 2024, mais de 85% das exportações angolanas foram petróleo.
A economia não mudou. O discurso é que mudou de roupa. Verdade reposta. Retórica desmontada. Luzes acesas: O truque revela-se. Mas o truqueiro continua no palco, a acenar ao público. Porque aqui, a ilusão vale mais que o pão. O aplauso, mais que a verdade.
Conclusão: O Executivo vive de narrativas e não de resultados concretos. Atenção: As eleições estão a virar da esquina. Os “senhores de 2017” procuram parecer sérios. Mas tropeçam sempre no próprio marketing. Falando depressa e bem: O ministro de Estado para Coordenação Económica falou à toa. José de Lima Massano transformou a seriedade do cargo em palco improvisado para brincadeira de muito mau gosto. Confundiu política com humor. Charlatanice polvilhada de uma inverdade mal ensaiada.
Senhor ministro de Estado para Coordenação Económica: Brincar é no parque. Ser servidor público é coisa séria. E exige respeito, sobretudo pela inteligência alheia. Está explicado porque razão a Economia Nacional anda toda descoordenada.
JORGE EURICO
