Vrackichakiri Abelardo, é considerado uma influência indispensável na história da literatura, arte e cultura no Wizi quiçá no ativismo social e cultural. Foi o princípio de um universo de intelectuais que hoje chamamos de Wizi e Movimento Viv’Arte, sempre afirmando a mesma frase: *Wy, nós precisamos de fazer alguma coisa*
Em 2016, conhecemo-nos. Ainda mais jovens do que hoje e frequentávamos o Curso de Ensino da Língua Portuguesa no ISCED-Uíge. Naquela altura, muitos, e tantos outros, estávamos desempregados e sem grande capacidade para assumir determinadas despesas financeiras.
Habitualmente, Vrackichakiri, um líder nato e influenciador, aparecia sempre com a sua boa disposição, sempre ajudando a muitos a se descobrir para os mais ofícios da vida e convidava-nos, como colegas, para tomar chá ou café em locais específicos, de prestígio. *Faz-me lembrar Miguel Branckima, que nunca se conformava com a pequena xícara de café e sempre alegava ser um desperdício de dinheiro*
O Movimento Literário Viv´Arte, fundado em 2012, por Vrackichakiri Abelardo, ainda carecia de uma identidade consolidada. Por isso, em 2017, realizou-se a Primeira Conferência Provincial sobre Literatura. Entre vários objectivos, já fora das salas da universidade, a nossa preocupação principal assentava em encontrar um cânone de expressão literária regional, dentro da nacional, que pudesse ser considerado um estereótipo representativo e configurado no prisma dos nossos hábitos, costumes, mitos e ritos de iniciação; enfim, da nossa condição antropológica, socioeconómica e política; grosso modo, dos nossos modus vivendi, fruto de longas horas de estudo sobre Literatura Angolana, Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, Literatura Portuguesa e Brasileira.
A verdade é que nos faltava maturidade, mas era necessário desencadearmos essas discussões, mesmo que, por vezes, sem consenso, pois muitos críticos afirmavam que estávamos a acender várias velas sem fósforos. Mas reinava entre nós um misto de sentimentos ambivalentes: entre aplausos e críticas, entre o desejo de continuar e o de desistir.
Na Quarta Conferência, em 2024, abordaram-se temáticas sobre a perspectiva de construção da literatura wiziense, respeitando os princípios estabelecidos no então Manifesto Viv´Arteano (em prelo), que procura solidificar a história, incentivar a investigação e fortalecer a nossa ideo-estética literária. Até então, já existiam obras a referenciar.
Importa lembrar que, nesse mesmo ano, já tínhamos apresentado as nossas monografias; estávamos já, então, licenciados e empregados.
Em volta de tudo isso, esteve e continua a estar na vanguarda um jovem chamado Vrackichakiri, um líder resiliente, destemido e preocupado com o crescimento dos seus que o rodeiam.
No dia 31 de Outubro mereceu a sua distinção honrosa ou homenagem pela Educa Editora no acto de lançamento da Obra Didáctica da Língua Portuguesa, do escritor e autor, Eduardo Nkanga, por incansáveis luta de manter a literatura e a cultura viva e por ter sido o início de uma grande nação literária e cultural no Wizi e em Angola 🇦🇴 independente.
… por enquanto, torna-se difícil descrevê-lo e contar toda a sua trajectória. Porém, fica aqui o nosso apreço de homenagem a esta figura emblemática da arte e cultura.
Neste momento, esta a produzir-se um documentário que fará uma incursão sobre o todo percurso do então Movimento Viv’Arte e dos seus percursores, a história não deve apagada, a história deve se reiterada e consolidado por gerações, como sempre afirmou Vrackichakiri Abelardo: *a história não se apaga recorda-se*
Aqui fica registada a história. Os históricos representam a historicidade; não podem ser derrubados, devem ser protegidos para que continuem a orientar os mais jovens!
“Nós somos a nossa própria história!”
Por Eduardo Nkanga Pedro

