O empresário libanês Jaafar Issa, investigado por alegadamente utilizar documentos falsos em Angola, estará a criar embaraços ao governador de Luanda, Luís Manuel da Fonseca Nunes, por este lhe ter emitido um certificado de garantias morais e cívicas para a sua integração na sociedade angolana.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Nascido na localidade de Houmin el Tahta, no Líbano, a 5 de Setembro de 1987, Jaafar Issa terá dificuldades em entrar no seu país de origem, depois de ter sido condenado, a 2 de Março de 2020, pelo Tribunal Criminal de Nabatieh, no Líbano, a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de um milhão de libras libanesas, pelo crime de burla.
Para obter documentação que lhe permitisse apresentar uma origem diferente, Jaafar Issa terá recorrido a documentos da República do Congo, tendo-lhe sido emitido um passaporte congolês, com o n.º 0A0237111, no qual consta que nasceu em Brazzaville, ao contrário do que indicam os seus documentos libaneses e a certidão de casamento de 2014, em posse do Club-K, que apontam para a localidade de Houmin el Tahta.
De acordo com as apurações, Jaafar Issa apresentou um pedido de nacionalidade angolana com documentos da República do Congo cuja autenticidade está sob suspeita. No âmbito do processo, terá recorrido ao governador de Luanda, Luís Nunes, que lhe emitiu um documento declarando formalmente que o cidadão «oferece garantias morais e cívicas para a sua integração na sociedade angolana», nos termos da Lei da Nacionalidade (Lei n.º 2/16, de 15 de Abril). O documento terá tido como base um atestado de residência emitido pela Administração Municipal da Maianga, em Dezembro de 2025.
Ao recorrer ao Governo Provincial de Luanda, Jaafar Issa pretendia obter uma chancela institucional de alto nível que atestasse a sua boa conduta, idoneidade moral, residência habitual e integração social no país — elementos considerados relevantes no âmbito do processo de pedido de nacionalidade e dos procedimentos associados à sua regularização documental em território nacional.
De acordo com fontes consultadas, o caso coloca o governador de Luanda numa situação de embaraço, tendo em conta que, segundo as mesmas fontes, as autoridades angolanas passaram a encarar com maior escrutínio determinados casos envolvendo cidadãos de nacionalidade libanesa, na sequência de questões anteriormente levantadas sobre elementos ligados à Arosfram e alegadas ligações ao Hezbollah.
As fontes acrescentam que alguns desses indivíduos terão recorrido a documentos de países africanos cuja autenticidade é questionada para se movimentarem em Angola.
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