A chegada de Celso Rosas à presidência do Conselho de Administração da Empresa Portuária do Lobito despertou expectativas positivas em muitos trabalhadores. Havia esperança de uma nova dinâmica de gestão, de modernização dos serviços, de valorização do capital humano e de fortalecimento da instituição enquanto uma das infra-estruturas portuárias mais importantes de Angola.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
Contudo, olhando para o percurso desde o início do seu mandato até à realidade vivida em 2026, impõe-se uma reflexão séria sobre o caminho percorrido, as conquistas alcançadas, as decisões tomadas e, sobretudo, as preocupações que hoje afectam os trabalhadores.
Quando Celso Rosas chegou à Empresa Portuária do Lobito, apresentou-se com uma postura de dinamismo, iniciativa e vontade de trabalhar. A sua chegada foi acompanhada por medidas que, aos olhos de muitos trabalhadores, representavam uma oportunidade para transformar a organização e introduzir novas formas de pensar a gestão empresarial.
Entre as iniciativas que marcaram essa fase, destacou-se a reestruturação de determinadas áreas da empresa, acompanhada de uma aposta na formação, na partilha de conhecimentos e na capacitação profissional.
A introdução do conceito de «empresa-escola» constituiu um dos aspectos mais relevantes dessa abordagem. Através de palestras, formações e workshops, procurou-se criar um ambiente em que os trabalhadores pudessem aprender, desenvolver competências e compreender melhor os desafios da instituição.
Esta iniciativa merece ser reconhecida pelo seu potencial. Uma empresa que investe na formação dos seus trabalhadores está a investir na qualidade dos seus serviços, na produtividade e na sustentabilidade da própria organização.
Uma empresa-escola não deve ensinar apenas técnicas de trabalho. Deve também cultivar a ética, a responsabilidade, o respeito pelos direitos laborais, a liberdade de expressão e a capacidade de ouvir opiniões divergentes.
Outro momento importante ocorreu a 21 de Outubro de 2024, quando Celso Rosas assinou, juntamente com a comissão sindical cessante, um acordo colectivo de trabalho que, segundo as informações apresentadas, continua em vigor.
A assinatura desse instrumento demonstra que, naquele período, existiu espaço para o diálogo e para a construção de entendimentos entre a administração e a comissão sindical cessante.
A vigência de um acordo deve traduzir-se no cumprimento efectivo das suas disposições, na estabilidade das relações laborais e na existência de mecanismos de diálogo para resolver conflitos.
A dinamização do projecto Condomínio José Carlos Gomes constitui outro dos aspectos positivos associados à fase inicial da gestão de Celso Rosas.
De acordo com o relato apresentado, o projecto encontrava-se envolvido em conflitos e dificuldades que impediam a sua conclusão. Com a chegada da nova administração, o processo ganhou impulso, tendo sido criada uma comissão de avaliação para acompanhar a selecção dos trabalhadores contemplados no âmbito do concurso.
O resultado foi a conclusão do projecto e a transformação daquele espaço numa zona habitável, permitindo que os trabalhadores seleccionados pudessem beneficiar de uma solução habitacional.
Entretanto, o reconhecimento de uma realização positiva não deve impedir uma avaliação crítica de outras dimensões da mesma gestão.
O reconhecimento das conquistas não significa renunciar ao direito de questionar. Da mesma forma, a crítica à gestão não significa negar tudo o que foi feito de positivo.
Depois do período inicial, após a sua recondução ao cargo, particularmente a partir de 2025, começaram a surgir, segundo os relatos apresentados, sinais de deterioração no relacionamento entre a administração e determinados trabalhadores.
Aquilo que antes era visto como uma liderança dinâmica e aberta ao diálogo passou a ser associado, por alguns trabalhadores, a uma postura de maior confronto, pressão e intimidação.
São relatadas situações em que, durante sessões de auscultação e workshops, teriam sido proferidas advertências ou ameaças dirigidas aos trabalhadores, criando a percepção de que aqueles que discordassem das orientações da administração poderiam sofrer consequências.
Um workshop deve ser um espaço de aprendizagem e participação. Uma sessão de auscultação deve permitir que os trabalhadores expressem as suas preocupações sem receio de represálias.
Quando as pessoas deixam de falar por medo das consequências, a administração perde uma das suas fontes mais importantes de informação: a realidade vivida por quem executa diariamente o trabalho.
Outra preocupação relatada diz respeito às orientações para que os trabalhadores entreguem os seus telemóveis ou os desliguem durante determinadas reuniões.
A questão torna-se problemática quando uma medida de organização é percebida como uma manifestação de desconfiança generalizada ou como uma tentativa de impedir que os trabalhadores documentem ou denunciem eventuais irregularidades.
A privacidade, a dignidade e os direitos legalmente reconhecidos não deixam de existir quando alguém entra numa sala de reuniões.
Em Novembro de 2025, segundo os dados apresentados, foi eleita uma nova comissão sindical, que tomou posse em 2026.
A mudança de uma comissão sindical representa uma oportunidade para renovar a representação dos trabalhadores, introduzir novas prioridades e reforçar o diálogo com a entidade empregadora.
Uma comissão sindical existe para defender os interesses dos trabalhadores, promover melhores condições de trabalho, acompanhar o cumprimento dos direitos laborais e estabelecer um diálogo responsável com a administração.
Não existe para substituir a voz dos trabalhadores pela voz da entidade empregadora. Também não existe para transformar divergências internas em perseguições pessoais.
Da mesma forma, a crítica a um dirigente sindical não deve ser confundida automaticamente com um ataque ao sindicalismo.
Outra matéria que suscita preocupação entre os trabalhadores diz respeito às obras de requalificação realizadas nas instalações do Porto do Lobito.
Segundo as preocupações relatadas, existem intervenções em escritórios e outros espaços que envolvem a destruição de estruturas existentes para posterior renovação, bem como dúvidas sobre a capacidade e a credibilidade de alguns empreiteiros envolvidos.
CONTINUAÇÃO……

