Denúncias de estudantes levantam questões sobre os critérios de avaliação, a transparência da gestão pedagógica e as alegadas movimentações para a liderança do Instituto Politécnico Industrial de Luanda.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
O Instituto Politécnico Industrial de Luanda, conhecido popularmente como Makarenko, está no centro de denúncias que apontam para possíveis irregularidades na gestão pedagógica, alegadas interferências nas avaliações e suspeitas de tráfico de influência. As informações, que carecem de investigação independente e de contraditório institucional, levantam preocupações sobre a transparência dos processos académicos e a protecção dos direitos dos estudantes.
As denúncias surgem num contexto em que também são levantadas questões sobre as alegadas movimentações de Edson Viegas, atual subdiretor pedagógico, junto de estruturas ligadas à JMPLA e a responsáveis do sector da Educação, supostamente com o objectivo de alcançar a direcção-geral do instituto.
Outro ponto particularmente sensível prende-se com denúncias de alegado assédio a estudantes do sexo feminino durante as aulas por parte principalmente do Subdiretor pedagógico, Edson Viegas.
Segundo as informações que motivam esta denúncia, essas movimentações terão começado há cerca de quatro meses. É igualmente alegada a existência de negociações envolvendo o actual director-geral, Milton Silva, e a possibilidade de uma colocação deste último num cargo de direcção ao nível do Ministério da Educação.
Até ao momento, estas alegações não constituem factos comprovados. A eventual existência de negociações, os seus intervenientes, os objectivos e a natureza dos contactos devem ser esclarecidos mediante documentação e declarações das partes envolvidas.
Uma das questões mais preocupantes diz respeito às alegações de que dezenas de estudantes poderão ter sido reprovados após deixarem apenas uma disciplina por concluir, ficando sujeitos à repetição de um ano lectivo inteiro, tudo por causa do Edson Viegas subdiretor pedagógico e sua milícia instalada na instituição.
De acordo com a denúncia recebida, mais de 30 estudantes estariam nessa situação. A lista disponibilizada para esta matéria contém 26 nomes, acompanhados de referências a disciplinas, turmas e números de identificação académica.
Entre as disciplinas mencionadas encontram-se Física, Matemática, Inglês, Química e outras áreas de formação técnica.
A principal questão é objectiva: os resultados foram determinados exclusivamente pelo desempenho académico dos estudantes e pelas normas de avaliação aplicáveis, ou existiram factores alheios ao mérito escolar?
A resposta exige a análise das pautas, das classificações obtidas, dos critérios de avaliação, dos regulamentos internos e dos procedimentos de recurso.
A alegação de que alguns estudantes terão sido penalizados por se recusarem a pagar vantagens indevidas é particularmente grave e necessita de provas concretas, incluindo eventuais mensagens, testemunhos identificáveis, pedidos de pagamento ou outros elementos que permitam apurar responsabilidades.
Caso se confirmem irregularidades, estarão em causa não apenas os percursos académicos dos estudantes, mas também a credibilidade da instituição e a confiança das famílias no sistema de ensino.
As denúncias apontam ainda para uma alegada concentração do poder de decisão nas mãos de determinados professores, como a professora Adalberta, com uma redução da influência anteriormente exercida pelos coordenadores de turma e de curso, tudo sob orientação do Edson Viegas.
Segundo os relatos apresentados, esta situação teria contribuído para um ambiente de insegurança entre os estudantes, que questionam os mecanismos de supervisão e a possibilidade de contestar decisões académicas.
Importa esclarecer quais são as competências legalmente atribuídas aos professores, aos coordenadores, à subdirecção pedagógica e à direcção-geral, bem como os mecanismos existentes para prevenir decisões arbitrárias.
A autonomia dos professores na avaliação não pode ser confundida com ausência de fiscalização. Da mesma forma, qualquer contestação de resultados deve ser apreciada com base em critérios objectivos, documentação académica e procedimentos de recurso previstos nas normas aplicáveis.
As informações recebidas sugerem que alguns professores poderão beneficiar de protecção informal devido à proximidade com o actual subdiretor pedagógico, Edson Viegas.
Estas alegações exigem uma investigação séria, discreta e imparcial, que proteja as possíveis vítimas de represálias e garanta a presunção de inocência dos denunciados.
Se confirmadas, situações de assédio no ambiente escolar constituiriam uma grave violação dos deveres profissionais e da dignidade das estudantes.
É fundamental que a instituição disponha de canais seguros para a apresentação de queixas, procedimentos de averiguação independentes…
NA MIRA DO CRIME


