Em Novembro de 2025, segundo os dados apresentados, foi eleita uma nova comissão sindical, que tomou posse em 2026.
A mudança de uma comissão sindical representa uma oportunidade para renovar a representação dos trabalhadores, introduzir novas prioridades e reforçar o diálogo com a entidade empregadora.
Uma comissão sindical existe para defender os interesses dos trabalhadores, promover melhores condições de trabalho, acompanhar o cumprimento dos direitos laborais e estabelecer um diálogo responsável com a administração.
Não existe para substituir a voz dos trabalhadores pela voz da entidade empregadora. Também não existe para transformar divergências internas em perseguições pessoais.
Da mesma forma, a crítica a um dirigente sindical não deve ser confundida automaticamente com um ataque ao sindicalismo.
Outra matéria que suscita preocupação entre os trabalhadores diz respeito às obras de requalificação realizadas nas instalações do Porto do Lobito.
Segundo as preocupações relatadas, existem intervenções em escritórios e outros espaços que envolvem a destruição de estruturas existentes para posterior renovação, bem como dúvidas sobre a capacidade e a credibilidade de alguns empreiteiros envolvidos.
Estas percepções levantam questões legítimas sobre o planeamento das obras, os custos, os critérios de adjudicação, a fiscalização e a utilização dos recursos financeiros.
Numa empresa pública, a transparência não deve ser encarada como uma ameaça à gestão. Deve ser entendida como um instrumento de protecção da própria instituição, dos seus responsáveis e do interesse público.
A modernização do Porto do Lobito é importante. Mas a sua legitimidade será reforçada se os investimentos forem acompanhados de transparência, rigor técnico e benefícios demonstráveis.
1. A dragagem marítima e os recursos provenientes das concessões
A dragagem marítima constitui uma intervenção relevante para a manutenção das condições de navegabilidade e para a capacidade operacional de um porto.
A mesma exigência de transparência deve aplicar-se à gestão das receitas provenientes das concessões portuárias.
No relato apresentado, são mencionadas concessões relacionadas com a LAR, a AGL/Lobito Terminal e outras operações e terminais associados à actividade portuária, incluindo o Terminal Oceânico do Lobito.
A pergunta fundamental é simples: que benefícios financeiros e operacionais resultaram das concessões para a Empresa Portuária do Lobito e de que forma esses benefícios se reflectiram na sustentabilidade da empresa e nas condições dos seus trabalhadores?
1. A questão salarial: quando a sobrevivência se torna a principal preocupação
Talvez nenhuma questão traduza de forma tão directa a insatisfação de muitos trabalhadores como a situação salarial.
Segundo os valores apresentados, a estrutura remuneratória da Empresa Portuária do Lobito apresenta diferenças significativas entre as diversas categorias existentes em outros portos do país.
Categoria profissional Salário mensal indicado
Último escalão salarial dos trabalhadores 121.000 Kz
Técnico 200.000 Kz
Chefe de departamento 300.000 Kz
Director 600.000 Kz
O custo de vida, a perda do poder de compra e a desvalorização da moeda exercem uma pressão significativa sobre os rendimentos de quem depende exclusivamente do salário.
Muitos trabalhadores tão logo vão a reforma, a única via de sobrevivência é o trabalho de mototaxista (Kupapata).
BY: FUNCIONÁRIO DO PORTO (ANÔNIMO)
CONTINUAÇÃO


