A administração do Sambizanga deixou de ser um edifício de utilidade pública para se tornar, aos olhos de quem cruza aqueles corredores, uma hospedaria de luxo gerida pelos caprichos de um só homem. Grilo, o Administrador para a área financeira, não governa apenas as contas; governa os corpos e os destinos de quase todas as mulheres que ousam aceitar o cargo de secretária em seu gabinete.

 

ADMINISTRAÇÃO DO SAMBIZANGA DEIXOU DE SER UM EDIFÍCIO DE UTILIDADE PÚBLICA PARA UMA HOSPEDARIA DE LUXO DE UM SÓ HOMEM

 

O primeiro grande abalo na estrutura daquela corte informal veio com o escândalo de Maura e Julieta. Maura era a favorita, até o dia em que Julieta, movida por uma fúria possessiva, trancou as saídas do palácio burocrático. O flagrante foi explícito: Grilo e Maura, entre papéis oficiais e a luxúria das portas fechadas.

O que se seguiu foi uma cena de violência e humilhação que ficou tatuada na memória dos funcionários.

 

Julieta avançou contra a rival com uma frieza tamanha que a deixou despida, lançando-a, vulnerável e nua, em pleno corredor da administração.

 

A humilhação selou o destino de Maura: expulsa do gabinete pelo escândalo, foi rebaixada para mera técnica na secretaria geral, onde os olhares de desdém e a vergonha pública se tornaram sua rotina diária.

 

ADMINISTRAÇÃO DO SAMBIZANGA DEIXOU DE SER UM EDIFÍCIO DE UTILIDADE PÚBLICA PARA UMA HOSPEDARIA DE LUXO DE UM SÓ HOMEM: GRILO

 

Julieta assumiu o trono vago da mesa de recepção e do coração do chefe, mas o preço do poder logo bateu à sua porta.

O marido dela interceptou o telefone da esposa, descobrindo um arquivo vivo de mensagens explícitas e fotos íntimas trocadas com o “Boss”. Em uma reunião familiar tensa e sem espaço para justificativas, o casamento ruiu.

 

Mas Julieta não chorou o divórcio por muito tempo; as cinzas do seu matrimônio foram sepultadas com as chaves de um “biva” imponente, um presente de Grilo financiado diretamente com o erário público.

Naquela administração, o dinheiro do povo compra silêncios e confortos privados.

A audácia de Grilo cresce na mesma proporção de sua impunidade.

 

Nos corredores, o boato que circula a boca pequena é ainda mais audacioso: dizem que até a “Número Um”, a administradora principal, havia cedido aos encantos ou chantagens do financeiro.

 

É a única explicação lógica para a inversão de poderes. Grilo não respeita hierarquias. Ele usurpa competências, influência a número um a assina despachos que lhe convém, e só paga empresários que lhe dão gordas comissões e silencia a liderança toda.

Ele tem mais voz que a própria chefe.

 

Quando a presença de Julieta começou a exigir uma renovação de ares, Grilo buscou carne nova no mercado das vaidades.

Substituiu-a por Josefina, uma jovem vinda de Cabinda. O ato carregava uma heresia moral ainda maior: Josefina era irmã do seu colega e amigo de longa data, o administrador financeiro do Hoji ya Henda.

 

A lealdade da amizade foi desfeita por transferências bancárias contínuas, todas desviadas dos cofres públicos.

 

Seduzida pela promessa de uma vida faustosa, a jovem abandonou o namorado para se entregar ao “coroa das transferências”. A consequência não tardou: uma gravidez que acendeu o rastilho de pólvora nos corredores.

 

Para abafar o clamor público e evitar um conflito institucional, Grilo financiou o exílio da jovem, mandando-a para Portugal até que as águas se acalmassem.

 

Mas o vazio no gabinete nunca durava. Logo o espaço foi ocupado por Francisca, ninguém menos que a ex-Miss Sambizanga.

 

A ambição de Grilo parecia não conhecer limites, e os abraços e carícias trocados às portas fechadas com a nova beldade começaram a inflamar o ciúme latente de Julieta. O clima era de uma guerra fria feminina prestes a explodir.

 

O ápice do drama, contudo, estava reservado para o dia em que a esposa legítima de Grilo decidiu confrontar o mito.

 

Ao chegar de surpresa à administração, encontrou a porta do gabinete trancada por dentro.

 

Do lado de fora, o som abafado do idílio entre o marido e Julieta era inconfundível. O escândalo que se seguiu foi digno de uma tragédia grega.

 

A senhora gritou, esmurrou a porta, exigiu uma dignidade que ali já havia sido vendida há muito tempo. Grilo, covarde atrás do isolamento acústico, não abriu a porta.

A esposa retirou-se derrotada, sob os olhares de pena e embaraço de toda a equipe.

Para os homens que trabalham naquele edifício, a sensação era de um misto de repulsa e um código de silêncio incômodo.

 

Tornara-se uma verdade absoluta: qualquer mulher que ostenta beleza e cruzar aquele portal terá que enfrentar o indefectível “teste do sofá”. A administração do Sambizanga não é mais um órgão do Estado; é o tabuleiro privado de um homem que opera o poder com o estômago e o bolso.

 

E viva o Grilo a pergunta que nao cala é: será que é o que lhes ensinam lá na sede do partido??????

JC

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