Supostos agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) deslocaram-se, no sábado, 1 de Novembro, às instalações do Instituto Geográfico e Cadastral de Angola (IGCA), em Luanda, onde terão retirado livros de registos contendo documentos sobre a titularidade de terrenos pertencentes à empresa Konda Marta, localizada no município da Camama.
REDACÇÃO PORTALTVNZINGA.COM
De acordo com informações apuradas pelo Club-K, a operação ocorreu na manhã de sábado, após um funcionário do IGCA ter sido notificado, por via telefónica, por efectivos do SIC junto ao Comando-Geral da Polícia Nacional (PN), para comparecer à instituição, apesar de não ser um dia normal de expediente.
O funcionário em causa, identificado como escrivão responsável pela recepção dos documentos da Konda Marta, afirmou ter sido obrigado a entregar as chaves da secretaria e a acompanhar os agentes, que alegaram que o director da instituição já se encontrava no interior do edifício.
Ao chegar, o escrivão encontrou o seu superior hierárquico no local, que o instruiu a fornecer aos agentes dois livros de registo — um dos quais continha o processo da empresa Konda Marta, actualmente envolvida numa disputa judicial por terrenos com altos oficiais da Polícia Nacional (PN) e das Forças Armadas Angolanas (FAA).
Após a entrega dos documentos, o funcionário foi levado para o Comando-Geral da Polícia Nacional, onde permaneceu detido durante várias horas sem conhecer o motivo da detenção. Foi libertado apenas após a intervenção do seu pai, magistrado do Ministério Público.
Segundo fontes próximas ao caso, o livro de registo contendo os documentos da Konda Marta permaneceu nas instalações do Comando-Geral, alegadamente com o intuito de “denegrir” a sentença do Tribunal da Comarca de Luanda, que havia restituído a posse provisória dos terrenos à empresa.
O presidente do Conselho de Administração da Konda Marta, Daniel Afonso Neto, lamentou o episódio e associou a acção à sequência de denúncias feitas pela empresa sobre alegadas tentativas de falsificação de documentos por parte de um conservador, com o objectivo de anular processos favoráveis à companhia.
“Tudo isso acontece depois de termos denunciado a intenção de adulterar os registos da empresa. Há sinais claros de perseguição”, declarou o empresário.
Segundo Daniel Afonso Neto, o incidente ocorre poucos dias depois de ter revelado a existência de um alegado plano, datado de 18 de Outubro, que visaria a sua “execução sumária”.
Refira-se que, na noite de quinta-feira, 30 de Outubro, três agentes de segurança ao serviço da empresa Konda Marta foram baleados por indivíduos alegadamente ligados à Polícia de Intervenção Rápida (PIR) e à Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP). As vítimas relataram, em conferência de imprensa, que “os agressores vieram mesmo para nos matar”.
